Análise Rurouni Kenshin

por Renato Sousa
[Anime] Rurouni Kenshin

Muito conhecida em Portugal pelo nome “Samurai X”, chegou a vez de Rurouni Kenshin receber uma análise aqui no ptAnime. Se para muitos vai ser um recordar de emoções vividas na infância e na adolescência, para outros vai ser o primeiro contato com uma série que já conta com mais de uma década de existência. Sem mais demoras, vamos então à análise propriamente dita.

 

A História de Rurouni Kenshin

No décimo primeiro ano da nova Era Meiji, Kenshin Himura surge em Tóquio, assumindo-se como um vagabundo que passeia pelo Japão. Neste novo local de paragem, Kenshin conhece Kaoru Kamiya, jovem mulher responsável por um dojo em que ela mesma ensina os seus alunos a manejarem a espada ao estilo Kamiya, que foi passado na sua família de geração em geração. Ao salvar a jovem de um poderoso inimigo, Kenshin acaba por conseguir alojamento naquele local e os dois acabam por se conhecer melhor.

Com o passar do tempo, a eles vão juntar-se novos amigos, assim como também será inevitável o aparecimento de novos inimigos. Serão estes últimos que revelarão a Kaoru e às outras novas amizades de Kenshin que este é muito mais que um mero espadachim que nos tempos livres assume sem qualquer problema o papel de uma verdadeira dona de casa. Na verdade, Himura é conhecido por muitos, particularmente pelos Samurais, como Battousai, o Lendário Assassino de Homens. Isto porque durante o período de Guerra que o Japão viveu e que levou à restauração da Era Meiji, Kenshin lutou pelos Imperialistas e assassinou muitos inimigos recorrendo às poderosas técnicas do estilo Hiten Mitsurugi que desenvolveu enquanto espadachim.

Arrependido e decidido a “compensar” os crimes que cometera no passado, Kenshin desembainha agora a sua espada apenas para defender os mais fracos e os valores em que ele próprio acredita. Mais do que isso, de forma a não assassinar mais ninguém, o protagonista da história usa agora uma espada com lâmina reversa, de forma a não matar mais uma pessoa que seja. Uma promessa difícil de cumprir pois o seu espírito de Battousai pode reacender-se consoante as diferentes situações. Para evitar isso, Kenshin conta com a ajuda dos seus novos amigos e do seu espírito de vagabundo.

 

[Anime] Rurouni Kenshin

Kenshin Himura & Kaoru Kamiya

 

Ambiente e Enredo

Apesar desta ser uma obra com mais de 10 anos de existência, a qualidade gráfica de Rurouni Kenshin não deixa de ser bastante boa para a época em que surgiu. Particularmente as cenas de ação estão soberbas, ainda que alguns golpes pudessem ser demonstrados mais a olho, isto é, vermos exatamente como o mesmo foi executado e não apenas o seu resultado final.

Relativamente ao ambiente de Rurouni Kenshin, ao passar-se em finais do século XIX, não se podem esperar, como é óbvio, grandes modernices. Um aspeto que é notório pelos próprios Samurais que naquela altura atravessavam uma fase de decadência devido a armas de guerra como machine guns que começavam a aparecer, e até pela própria medicina oriental que comparada com a ocidental era ainda muito rudimentar na cura de doenças mais graves. Um aspeto importante na história de Rurouni Kenshin, pois o contacto com outros tempos permite também o enriquecimento cultural do espetador. Por falar nisso, quem tem orgulho em ser português ficará certamente satisfeito ao ver alguns episódios onde o nosso povo é bastante referenciado.

No que diz respeito à qualidade da história e do enredo de Rurouni Kenshin, é caso para se dizer que a mesma é excecional na parte adaptada da manga porque de resto é mesmo para esquecer. Mais especificamente, depois dos primeiros capítulos em que nos são apresentadas as personagens principais e todo o conteúdo base da obra, a dita cuja só tem interesse a partir do episódio 28 até ao 62, que é nada mais nada menos que a saga de Makoto Shishio. Tudo o resto é fácil de se perceber que são fillers. O anime  de Rurouni Kenshin deveria mesmo ter terminado aí, e nunca ter sido prolongado até onde foi. Como espetador(a), chega-se mesmo a perceber que a certa altura a produção já nem sabia o que fazer, pois em plenos fillers viu-se obrigada a regredir no tempo para arranjar conteúdo novo. Mas como estava a dizer, no que interessa verdadeiramente, Rurouni Kenshin consegue colar qualquer um ao ecrã logo numa fase inicial em que começa a levantar o véu sobre os grandes acontecimentos que estão para surgir. A partir daí, é difícil descolar de uma história que, para além das lutas fantásticas que proporciona, apresenta uma carga emocional de nível moderado e ensinamentos teóricos eticamente corretos que chegam maioritariamente pelas palavras sábias de Himura.

Quanto à banda sonora de Rurouni Kenshin, não sendo deslumbrante, esta tem três ou quatro músicas que já mais serão esquecidas pelos fãs desta produção televisiva. Os responsáveis fizeram bom uso dela, pois a certa altura até é possível prever-se o que vai acontecer nos segundos seguintes da história com recurso à música que começa a tocar.

 

[Rurouni Kenshin] Kenshin Himura

Kenshin Himura

 

As Personagens de Rurouni Kenshin

O grande protagonista, Kenshin Himura, é, como já aqui foi dito, alguém cujo comportamento mudou radicalmente de um momento para o outro. Deixar de ser o famoso Battousai que não hesitava em matar o inimigo para passar a ser um simples vagabundo cuja espada apenas serve para impedir que mais sangue seja derramado é uma tarefa árdua que Kenshin terá de superar dia após dia. Por outro lado, quando não está envolvido em duelos perigosos, Himura consegue surpreender tudo e todos com os seus dotes de “dona de casa”. Alojado na casa de Kaoru, é ele quem trata de cozinhar, de limpar a casa e da parte de lavandaria. Um exemplo a ter em conta pelos homens da sociedade atual.

Por seu lado, Kaoru Kamiya é uma personagem com os ideais muito semelhantes aos de Kenshin e que dia após dia vai fortalecendo a sua relação com o protagonista. Sempre preocupada com aqueles que lhe são próximos e em ajudar quem precisa, Kaoru peca por não ter a capacidade de Himura em resolver as coisas pela espada, um facto que se compreende. Além do mais, e por estranho que pareça, esta jovem consegue ser superada pelo amigo nas tarefas que correspondem à lida da casa.

Segue-se então Sanosuke Sagara, alguém que perdera o rumo da vida depois de ver a Sekihoutai, grupo ao qual pertencia, ser traída e aniquilada pelos Imperialistas durante a guerra que levara a restauração da Era Meiji. A viver dos pagamentos daqueles que os contratavam para derrotar poderosos inimigos, Sanosuke volta a reencontrar uma luz na sua vida após um confronto com Kenshin que, essencialmente pelas palavras, consegue mudar a mentalidade deste jovem, levando mesmo a que os dois fiquem amigos.

Por fim, resta falar de Yahiko Myojin. Um adolescente com bons valores incutidos, mas que vivia oprimido por um grupo residente em Tóquio que o obrigava a roubar para pagar uma dívida que nunca existira. Após conhecer Kenshin e Kaoru que o vão livrar desta alhada, o rapaz vai se juntar eles nas suas aventuras e ambicionar um dia ser tão forte como Kenshin. Para isso, vai se tornar aprendiz de Kaoru, algo que inicialmente não vai ser muito do seu agrado.

 

[Samurai X] Makoto Shishio

Makoto Shishio

 

Juízo Final

Resumindo, Rurouni Kenshin (Samurai X) é uma obra que apesar de já ter alguns anos de existência não deve ser descartada pelos mais novos nem por aqueles que ainda não a viram. Contudo, como disse anteriormente nesta análise, a série vale pelo conjunto de episódios que mencionei e que seguem a manga. Tudo o resto são fillers aborrecidos que acabam por desvalorizar um pouco esta excelente produção. Se virem estes capítulos mais chatos e desnecessários, a única coisa que podem aproveitar deles é algum conhecimento histórico, não só sobre o Japão mas também de outras terras.

Note-se que quando se fala no conteúdo que realmente é cativante, está-se a falar de alta qualidade a todos os níveis em Rurouni Kenshin. Conceção das personagens em termos de história e de poderes, ligação entre as mesmas, lutas, diálogos, paisagens e ambientes criados essencialmente em torno das batalhas, a música como já foi referida e toda uma panóplia de outras coisas importantes para a exaltação de uma série deste calibre.

A ausência de um trailer decente sobre a série leva-me a concluir esta análise com o primeiro opening do anime. Apreciem e caso já tenham visto a obra não se esqueçam de partilhar a vossa opinião aqui. E já que estamos numa de Rurouni Kenshin, quem sabe o ptAnime não vos traga a análise ao Live Action em breve. Fiquem atentos!

 

 

 

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