Ryokan e NetCafés – Guia do Gaijin para o Japão | Alojamento II

por Inês Marques
Guia do Gaijin Para o Japão

Depois de falarmos de modo geral sobre hotéis e hostels japoneses, passamos agora a falar de outros dois tipos de alojamento – as Ryokan e os NetCafés.

Podem estar a perguntar-se o que NetCafés têm a ver com alojamentos… Já irão descobrir mais adiante! Mas primeiro…

 

Ryokan

As ryokan são o alojamento mais “japonês” e onde se poderá desfrutar de uma experiência mais tradicional. Este tipo de estabelecimento, que geralmente se encontra em zonas mais afastadas dos grandes centros (pois parte da experiência é a imersão na natureza), costuma ser um negócio de família, passando a sua gestão de geração em geração. A arquitectura das ryokan é, obviamente, ao estilo japonês, tendo os quartos chão de tatami e futons para os hóspedes dormirem.

 

Um exemplo de quarto de ryokan.

 

Uma ida às ryokan pode comparar-se, de certo modo, com a antiga tradição portuguesa de ir às termas. Localizam-se perto de fontes termais naturais (as famosas onsen), e é dessa água que usam para alimentar os seus banhos públicos. Todo o procedimento e etiqueta de um banho japonês merece um artigo por si só (comentem se estiverem interessados em lê-lo!**), e relaxar nestas águas termais é ponto obrigatório numa estadia numa ryokan. Algumas podem ainda oferecer tratamentos de estética, como massagens e aromaterapia, funcionando quase como um spa.

 

Fachada de uma ryokan.

 

É também oferecida uma yukata aos hóspedes para usarem no estabelecimento ou até mesmo fora dele, para passearem pela zona circundante ao estabelecimento (claro que não podem levá-la para casa). A comida servida neste alojamento segue, claro está, os parâmetros tradicionais nipónicos (a chamada cozinha kaiseki). Os alimentos oferecidos na refeição dependem sobre tudo dos ingredientes que se podem encontrar na região e da estação do ano em que se está.

 

Nas ryokan, as refeições podem ser tomadas no quarto ou em salas de jantar do estabelecimento.

 

Claro está que toda esta experiência não é das mais baratas… Embora existam diferentes tipos de ryokan, o preço médio por pessoa varia entre 7000 e 10000 ienes (€58-€83 aprox., à data da escrita deste artigo) por noite! Embora não seja o ideal para uma estadia prolongada, quem estiver no Japão durante um período alargado de tempo pode, dependendo do que quiser gastar, passar uma ou duas noites numa ryokan para variar.

Podem saber mais sobre ryokan no site da Japan Ryokan & Hotel Association.

 

NetCafés

Ah, NetCafés… Sem dúvida um dos sítios mais curiosos onde pernoitar! Também conhecidos como Manga Cafés, estes sítios não são propriamente alojamentos, mas são usados muitas vezes para passar uma noite por pessoas que, por exemplo, perderam o último comboio para casa. (Existem ainda os chamados “refugiados de Net Café”, ou seja, pessoas que não têm residência fixa e literalmente vivem nestes locais, cujo número tem vindo a aumentar.)

A premissa de um NetCafé é simples – pagando um determinado valor por hora, o “hóspede” pode utilizar um computador com acesso à Internet, ler todos os volumes de manga que quiser (dependendo do que houver na biblioteca do estabelecimento) e tem ainda acesso a um bar de bebidas que pode usar e repetir à vontade. Alguns NetCafés oferecem refeições, preparadas por trabalhadores ou por máquinas de venda automática, e ainda a possibilidade de tomar duche (ambos por um preço extra).

 

Internet e manga à discrição no mesmo sítio… Para muitos, o paraíso!

 

O preço de uma “estadia” num NetCafé varia muito. O primeiro factor é o número de horas que se quer ficar – o preço mínimo de base é de 3 ou 4 horas, que se pagam na totalidade mesmo que se fique por menos tempo. Outro factor é o tipo de lugar que se quer – existem cubículos para uma pessoa (normalmente é esta a opção mais cara), outros para duas ou três pessoas e ainda lugares na sala comum, partilhada com imensas pessoas (obviamente, esta é a escolha mais barata).

 

Cubículo individual de NetCafé.

 

Dormir num NetCafé não é o mais confortável, sobretudo quando se está numa sala comum a ouvir o ressonar de 20 ou 30 salary men que perderam o comboio. Mas é a opção mais em conta para quem, por exemplo, apenas pretende descansar durante algumas horas antes de sair cedo para apanhar um comboio ou para aproveitar o dia para explorar a cidade. Eu própria fiquei duas vezes em NetCafés (uma vez num cubículo individual, outra numa sala comum) durante uma viagem que fiz com amigos por várias cidades japonesas e estávamos constantemente a trocar de comboios. Para este tipo de situações, ficar num NetCafé é o “desenrasca” perfeito!

 


**Atualização: a pedido de várias famílias, já saiu o artigo do ptAnime sobre banhos japoneses! (27/05/2017)


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