Guerra dos Cem Anos e Caça às Bruxas! Se estes termos te dizem alguma coisa e chamam a tua atenção, então Junketsu no Maria é uma obra recomendada a ti! Caso contrário, mantém-se a recomendação de uma produção rica na vertente histórico-cultural, que em paralelo faz uso da virgindade de uma jovem bruxa para enriquecer a sua parte cómica e aguçar o romantismo entre personagens.
Junketsu no Maria | Sinopse
Junketsu no Maria traz de volta ao presente a Guerra dos Cem Anos. Um conjunto de conflitos e batalhas que colocou frente a frente França e Inglaterra, entre os séculos XIV e XV.
Algures em território francês, numa floresta, vive Maria com os seus dois familiares: Priapos e Artemis. Esta jovem bruxa não suporta guerras nem conflitos entre os humanos, estando constantemente a intervir nas batalhas que deflagram entre os dois países. Estas constantes intervenções acabam por manter a paz na região mas, em simultâneo, despertam as atenções dos Céus, por maus motivos.
Quem desce à Terra é o próprio Arcanjo Michael, que acusa Maria de estar a interferir com o equilíbrio da Terra ao usar feitiçaria para por fim às batalhas. Este acaba por lançar um feitiço sobre a jovem, o qual diz que se Maria perder a virgindade perderá também os seus poderes enquanto bruxa.
Uma decisão que não parece preocupar muito Maria, levando-a a continuar a proceder da mesma forma de sempre. Todavia, a Igreja terrestre e os próprios líderes dos países continuam desagradados com estas intervenções, prometendo tomar outro tipo de atitudes para virarem a situação a seu favor.

Junketsu no Maria | Enredo
A meu ver, os temas que envolvem Junketsu no Maria são altamente interessantes. Desde a religião à feitiçaria/bruxaria, passando pelas guerras. No meio disto tudo, são revelados todos os interesses em jogo das várias fações, que por sua vez dão origem ao ódio, irritação e revolta contra Maria. Dá que pensar sobre aquilo que realmente os humanos apregoam e o que são os seus verdadeiros interesses. Mas isto é apenas a ponta daquele que é um icebergue repleto de diálogos ricos sobre estas matérias e que nos deixam a refletir.
A religião destaca-se dos restantes temas, a partir do momento em que o antagonista daí advém. Disse antagonista? Talvez seja melhor o plural: antagonistas. Isto porque a relação direta entre o Céu e os crentes da Terra é estabelecida por uma linha muito ténue que só no final se tenta intensificar. Algures pelo meio anda Maria a lidar com ambas as partes. Se Magia e Religião nunca pareceram combinar, aqui saiu tudo ao contrário, pois a grande atração da série aqui reside.
Do outro lado temos a vertente sexual, que salvo algumas expressões não deixa ninguém sensibilizado. Não é isto que deve levar a série para um patamar “maiores de 18”, pois ou se percebem os diálogos ou não. A própria censura na imagem é evidente nas poucas situações a que assim obriga. Na verdade, o objetivo destas cenas passa mais por divertir o espectador, o que é conseguido em grande parte destes momentos.
Junketsu no Maria | Ambiente
Já tinha deixado elogios ao trabalho da Production I.G no artigo de primeiras impressões. Findada a visualização da série, tenho apenas que os manter. Este é mais um excelente trabalho desta companhia, depois de já ter mostrado toda a sua qualidade em animes como Attack on Titan, Ao Haru Ride e Haikyuu!!.
Os ambientes são altamente coloridos, quase sempre sem tons excessivamente carregados. Faz-me lembrar o já mencionado “Ao Haru Ride”, anime que passa a ideia de suavidade com um encaixe perfeito naquilo que é a coloração das personagens e dos ambientes. A animação é fluída, à semelhança daquilo a que a produtora nos habituou. Nos momentos de maior exigência, esta não defrauda o espectador.
A banda sonora é agradável e complementa bem tudo aquilo que se vai passando na história. No entanto, não sobressai, não sendo esta que faz a diferença. Como tinha dito logo após a estreia de Junketsu no Maria, o ending é equilibrado na combinação da música com o vídeo. Por seu lado, o opening sobressai-se na parte musical.
Junketsu no Maria | Personagens
O lote de personagens de relevo aproxima-se do número de episódios da trama (12). Felizmente, houve tempo para as abordar a todas com o mínimo de tempo exigido e, ainda assim, destacar a irreverente Maria. Esta merece mesmo destaque, daí este tópico.
Maria é diferente de todas as personagens, incluindo as outras bruxas que marcam presença e que numa fase inicial pouco contacto têm com ela. A jovem defende e age consoante aquilo que pensa. É genuína e basta, sendo, a par dos temas, a grande responsável pela valorização desta adaptação da manga de Masayuki Ishikawa. Deste lado do ecrã, fica a admiração.
Junketsu no Maria | Juízo Final
Assim fica uma análise a uma obra cujo nome – e por cá percebe-se melhor o que este quer dizer a partir do inglês (Maria: The Virgin Witch) – indicia que a produção gira à volta da virgindade da protagonista e foca-se maioritariamente em cenas de caráter sexual.
Como deu para perceber ao longo deste artigo, não é bem esse o contexto. Existe, de facto, essa parte na trama que a enriquece e a torna divertida e capaz de entreter o espectador quando assim tem que ser. Porém, o grande foco reside nos temas e problemas que marcam a época onde se situa Junketsu no Maria.
Com tudo tão bem trabalhado, pena o final tão repentino e excessivamente colorido. Certamente que se esperava um final feliz como em (quase) todas as obras. Todavia, tendo em conta as situações dos episódios anteriores, nunca seria possível chegar ao desfecho apresentado. Pelo menos da forma veloz com que tudo aconteceu! Fica a ideia que disparou uma urgência e, de repente, estalou-se os dedos e caiu do céu uma cena com todos os problemas e situações prontos a resolver. Um desfecho que não estraga o valor dos conteúdos presentes, mas que, inevitavelmente, mancha a produção.
Segue-se o trailer.
Junketsu no Maria | Trailer
Análises
Junketsu no Maria
Uma produção que se revela uma viagem enriquecedora, nos mais variados aspetos, a uma época que definitivamente marcou a nossa história.
Os Pros
- O contexto histórico-cultural
- Os temas abordados (religião, guerra, bruxaria)
- A produção visual
Os Contras
- O final