Wo Long: Fallen Dynasty | |
---|---|
Plataformas | PC, PlayStation 4, PlayStation 5, Xbox One, Xbox Series X|S, Xbox Game Pass |
Publicadora | Koei Tecmo Games |
Desenvolvedora | Team Ninja |
Género | RPG de Ação |
Data de Lançamento | 3 de março de 2023 |
Em 2009, a indústria dos videojogos iria sofrer um abanão por causa de um jogo lançado para a PlayStation 3 que iria testar a paciência e abordagem dos jogadores a um confronto contra os inimigos que apareciam à sua frente.
Esse jogo tinha como seu nome Demon Souls e foi o responsável pelo nascimento do soulslike, um género de jogos com grandes níveis de dificuldade, e desde o seu lançamento que muitos jogos tentaram pegar nessa fórmula e criar a sua própria experiência e entre elas tivemos grandes jogos que ganharam o respeito dos consumidores.
Um estúdio que tentou criar esse tipo de experiência foi a Team Ninja. Conhecidos por criarem as franquias Dead or Alive e Ninja Gaiden, o estúdio tentou criar algo com o jogo Nioh e conseguiu agradar muitos dos fãs do género.
Uma sequela depois, a Team Ninja traz-nos agora um novo jogo desenvolvido em conjunto com membros da equipa que criou Bloodborne que tenta reinventar a roda mais uma vez do género soulslike nesta aventura pela dinastia Han na China.
Um agradecimento especial à Koei Tecmo por nos ter dado a oportunidade de analisar este jogo e, sem mais demoras, aqui fica a análise de Wo Long: Fallen Dynasty!
Wo Long: Fallen Dynasty – Análise ao Jogo (Xbox Series S)
Wo Long: Fallen Dynasty é um jogo desenvolvido pela Team Ninja e publicado pela Koei Tecmo Games a 3 de março de 2023 e coloca os jogadores na pele de um soldado sem nome que tenta sobreviver a várias adversidades usando um combate inspirado nas artes marciais chinesas.
O efeito do espírito de combate
Muitas pessoas acham que jogos soulslike não passam de jogos frustrantes com uma dificuldade ridícula por trás, mas quem joga acaba por perceber que existe muito mais do que isso, como por exemplo a progressão customizada dos atributos do nosso personagem.
Apesar da ideia principal desses jogos manter-se presente, Wo Long apresentou algumas mecânicas interessantes que tornam essa experiência chatíssima numa aventura um pouco menos assustadora e balanceada para novos jogadores.
Uma dessas mecânicas foi um sistema de moral que nos ajuda a derrotar inimigos mais facilmente. Para aumentar a nossa moral temos de derrotar inimigos ou aplicar certos golpes especiais até ao máximo de ranking 25 e mediante esse ranking, poderemos aplicar ou receber menos dano quando o mesmo é comparado ao do nosso inimigo.
Isto é uma excelente mecânica para mostrar aos jogadores como devem abordar uma batalha mediante o estado em que estão e até incentivar a melhorar os seus atributos pois até o mais fraco dos inimigos pode-nos dar problemas se o seu ranking for maior do que o nosso.
Outra mecânica nova que veio substituir a stamina do jogador foi uma barra de spirit que mede o tipo de golpes que vocês utilizam. A ideia basicamente é alternar entre ataques agressivos e outros que utilizam spirit para evitar que a barra fique demasiado baixa quando vocês sofrerem um ataque porque se isso acontecer, vocês ficam atordoados até a barra ficar a zero.
Apesar de ser uma forma inteligente que remove a limitação do combate de um soulslike normal, este tipo de sistema é um bocadinho difícil de se habituar ao início e mesmo já sabendo como funciona, parece demasiada informação de uma só vez para o jogador.
Mesmo assim, não significa que a Team Ninja abandonou os jogadores e forneceu as ferramentas necessárias para se trabalhar com este sistema. Uma delas é a possibilidade de refletir os ataques dos inimigos e assim retirar algum do spirit negativo que temos acumulado, ou caso o inimigo comece a emitir uma luz vermelha, podemos aplicar um golpe crítico caso consigamos refletir o ataque no momento certo.
Também podemos aplicar golpes fatais nos inimigos caso os apanhemos desprevenidos pelas costas ou até quando a sua base de spirit estiver no certo ponto fazendo com que o seu nível de moral desça ou derrotando-o com um golpe só.
Todas estas mecânicas foram feitas para facilitar a vida dos jogadores, mas parece que teve mais o efeito oposto e até chega a limitar ainda mais. Tal como disse, é bastante confuso de se perceber ao início e mesmo percebendo acho que é um sistema bastante injusto por fazer com que ao mínimo erro, o jogador possa perder tudo pelo qual trabalhou.
Muitas opções, mas pouca customização
Focando agora nas opções de combate que temos disponíveis, muitas delas encontram-se interligadas à barra de spirit e tem efeitos variados para ajudar a manuseá-la. Uma dessas opções são as artes marciais, golpes que estão ligados à arma que utilizamos e permite-nos aplicar dano tanto à vida como à barra de spirit do inimigo.
Parece uma ideia bonita, só que tem um pequeno problema por trás. Existem 13 categorias de armas diferentes em Wo Long, cada uma com um gameplay distinto. Entre si, as armas não têm muita diferença nos stats, exceto nas artes marciais às quais estão ligadas. O problema é: as artes marciais de cada arma são atribuídas de forma aleatória.
Isto por si só é muito mau porque não dá uma justificação ao jogador de trocar armas e melhorar a sua personagem se a única diferença entre elas é se o golpe que vem com a arma traz mais uma pirueta do que a que temos equipada.
A ideia das artes marciais é boa, mas funcionaria melhor como golpes que poderíamos equipar nas armas, ao invés de nos basearmos na sorte se vamos ter aquele ataque que nós tanto queríamos. Acaba por ser ainda mais ridículo quando desbloqueamos o ferreiro e podemos melhorar as nossas armas, fazendo com que invistamos nas armas que começamos o jogo, ao invés de trocar por uma melhor.
Mesmo tendo este percalço, uma ideia de que gostei em Wo Long são os ataques spirit que são uma espécie de golpes de alto risco que gastam o nosso spirit, mas que se funcionarem aplicam bastante dano aos nossos inimigos, alimentando mais o elemento de estratégia do jogo ao dar uma opção para tomar um grande risco que pode custar tudo ou ajudar a derrotar os inimigos.
Um elemento que achei um pouco inútil foram os feitiços. Em Wo Long para aumentar os novos stats temos de escolher uma de 5 virtudes que nos aumentam os stats em diferentes partes e mediante o nível dessa virtude nós podemos adquirir vários feitiços que nos podem ajudar no combate.
Existe muita variedade nos feitiços e até formas de cancelar os feitiços dos inimigos ao usar um dos nossos, mas olhando para tudo que já está presente no jogo parece ser mais um elemento para confundir o jogador do que uma ferramenta extra para ajudar no combate.
Para aqueles que procuram criar a sua personagem ao seu estilo em Wo Long, vão ficar ligeiramente desapontados com algumas das opções de customização que estão presentes no combate pois não existe muita variedade por onde se pegar.
Erros que custam muito caro
Com tantas opções à nossa escolha de combate, os inimigos que aparecem à nossa frente precisam de ter uma dificuldade bem implementada para acompanhar aquilo que o jogador faz. Isso seria tudo muito bonito se a dificuldade estivesse bem balanceada, o que infelizmente não é o caso.
O jogo funciona por fases onde vamos explorando pequenas áreas e derrotando inimigos até acabarmos onde temos de derrotar um boss. Pelo caminho podemos colocar bandeiras em certas bases de forma a desbloquear uma zona de repouso e para colocar um limite mínimo nosso ranking de moral, o que significa que se morrermos o nosso nível já não vai para zero, mas sim para um nível mediante o número de bandeira que colocamos.
Existem alturas em que essas bases estão guardadas por um grupo de inimigos e temos de o derrotar se queremos reclamar a bandeira para nós só que não é assim tão fácil. Nesse grupo existe um líder que tem um ranking de moral muito alto para nós o enfrentarmos.
Wo Long: Fallen Dynasty dá-nos a opção de ser malucos e ir logo enfrentar esse líder, mas outra coisa que se pode fazer é derrotar os seus seguidores e assim diminuir o nível do líder para ser fácil a batalha contra este. Este tipo de detalhe é excelente pois mais uma vez reforça a ideia de que não podemos ir de cabeça para uma batalha e que temos de pensar de uma forma mais estratégica.
Após vários momentos de exploração, chegamos então ao fim da fase e ficamos cara a cara com um boss e aqui é que vemos que muita da dificuldade não está adequada ao jogo em que está presente. Muitos dos bosses são difíceis por si só, mas o que os torna ainda mais que o normal é que para os derrotar parece que temos de mudar a nossa forma de jogar.
Já para não falar que muitos dos bosses são demasiado injustos ao atacaram ou muito rápido ou várias vezes não dando qualquer aberta ao jogador para poder atacar. Isto faz do jogo uma experiência demasiado frustrante porque o jogador não está a ser derrotado porque cometeu um erro, mas sim porque o boss é demasiado complexo.
Ainda assim existe uma última ferramenta que nos ajuda bastante no combate especialmente nos bosses que são as Divine Beasts. Sempre que aplicamos ou recebemos dano, enchemos uma certa barra que quando estiver cheia, permite convocar uma Divine Beast que nos ajuda bastante a concluir situações apertadas desde aplicar dano aos inimigos a dar certos efeitos ao jogador.
Também existe a possibilidade de trazer um companheiro connosco nestas fases, e apesar de ajudar em certos bosses porque estes acabam por se distrair com os nossos amigos, esta mecânica não adiciona assim muito à experiência.
Um mundo repleto de corrupção
Para os que estão interessados na parte online de Wo Long, posso informar-vos que se encontra presente e que tem alguns elementos interessantes para aqueles que querem jogar este jogo ao lado de um amigo.
Existem 2 modos de jogo em cooperativo, que não tem muita diferença entre si exceto na forma como os jogadores interagem com o ambiente. Caso os jogadores prefiram causar o caos na campanha uns aos outros então podem utilizar o modo Invade onde podem controlar a bandeira de um jogador e impedir que ele progrida na história.
Nem sempre os jogadores conseguem sobreviver ao mundo de Wo Long e para se ajudarem uns aos outros existe uma mecânica chamada Vengeance que são bandeiras pretas espalhadas pelo mapa que foram deixadas por outros jogadores que foram derrotados em batalha e ao oferecermos uma poção recebemos um boost temporário no nosso ranking de moral.
Mas não fica por aqui pois se oferecermos essa poção, é-nos indicado que inimigo derrotou esse jogador e se o derrotarmos recebemos uma recompensa que nos pode ajudar mais tarde, sem dúvida uma boa forma de ajudar os jogadores futuros a não terem de passar pelas mesmas dificuldades dos anteriores.
Veredito
Olhando para a minha experiência a jogar Wo Long: Fallen Dynasty, admito que fiquei um pouco dececionado pois houve ideias que gostei, mas que tinham algo por trás que as impediam de serem algo mesmo divertido.
Se tivesse de descrever este jogo diria que é “Um Ninja Gaiden com elementos de Dark Souls” o que não é uma coisa má, mas tendo em conta quem desenvolveu, estava à espera de um pouco mais e em vez disso tive muito sem saber por onde pegar.
Apesar da minha experiência com jogos soulslike ser maioritariamente a jogar Elden Ring, senti que este jogo tinha boas ideias no seu interior que podiam ter sido melhor executadas. Não acho que este seja um jogo mau, mas acredito que existe potencial ainda por explorar para uma sequela ou até uma franquia nova com muitas ideias que estão aqui dentro.
Análises
Wo Long: Fallen Dynasty
Uma aventura no império chinês que tem bastantes ideias interessantes, mas que falha em criar algo memorável para os jogadores.
Os Pros
- Sistema de moral
- Elemento de estratégia
- Variedade dos inimigos
Os Contras
- Mecânicas inúteis
- Falta de punição por morrer
- Dificuldade não está bem equilibrada